Muitas coisas me incomodam nesse exato momento. Talvez não escreveria aqui se fossem meramente pessoais. Mas não são.
Não adianta dizer que lamentei, não adianta dizer que fiquei triste com as notícias. Mas eu não consigo não dizer. E é por isso que expresso meu sentimento de sincera e profunda tristeza em relação a dois cães: o Titã, um filhote que foi enterrado vivo e acabou sobrevivendo e o yorkshire que foi torturado e assassinado por sua própria dona.

Uma grande fúria coletiva surgiu. Mas sabemos que ela vai passar. É só questão de tempo.
Vai passar e milhares de outros animais continuarão sofrendo maus-tratos. Vão morrer e a gente não vai nem ver ou vamos continuar fingindo que não existe.
Morrem porque viram comida, morrem porque estão nas ruas e não são “fofinhos” e de raça para que possamos comercializá-los.
Morrem porque são feitos de escravos e não nasceram senão para isso: puxar carroças em ruas movimentadas e barulhentas, competindo com carros e ônibus apressados.
Morrem porque são expostos a rinhas que servem como distração para nossas mentes superinteligentes – dá até para ganhar um dinheirinho. Morrem porque precisamos de seu couro para nos vestir e sua pele para nos envaidecer. Enfim, morrem. Morrem aos zilhões.

Isso sem falar naqueles que são tirados de seu habitat e têm sua liberdade restrita: falo de pássaros em lindas gaiolas ornamentadas, de animais de zoológicos e de circos. E têm aqueles, ainda, que são feitos de brinquedos de gente grande: em rodeios e gineteadas, por exemplo.
Sinceramente, me sinto até uma hipócrita falando isso e chorando pelas imagens dos cães. Isso porque já comi muita carne na minha vida, já fui em rodeio, já usei muito sapato e jaquetas de couro, já ignorei cachorros pulguentos de rua, já subi em cima de uma cavalo e dei “pancadinha” nele para que corresse. Já fui em circos e zoológicos e admirei os showzinhos de elefantes tristes.
Talvez aquela enfermeira torturando seu cão não é apenas um reflexo de como uma sociedade inteira cuida dos seus animais – veja, não se trata apenas de nossos cães e gatos.
Talvez devêssemos sentir raiva de nós mesmos. Talvez devêssemos olhar nossas próprias atitudes e relembrar das vezes em que fomos coniventes com a violência animal.
A violência sobre o yorkshire foi explícita e por isso nos tocou tanto. Mas há muitas as quais não vemos. Muitas, muitas, muitas.
Então, a resolução desse problema não é linchando o cara que enterrou seu cão e nem prendendo a enfermeira que estava num dia ruim.
O olhar deve se dirigir para nós mesmos.

Nossas próprias atitudes…sim, eu sei: é aí que o bicho pega.
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