Estou ficando muito confusa linguisticamente.

De um lado está todo mundo (os nazi grammar) criticando erros alheios nas redes sociais: uma vírgula que falta, o uso do z ao invés do s, concordância, acento, e a lista é grande. Celebridades devem ter contratados professores de português só para postagens em redes sociais, para não virarem manchete na página inicial do Yahoo e serem tachados de analfabetos publicamente. Além de que, muitas vezes, comentários interessantes tornam-se inválidos diante de um erro (ou inadequação gramatical, como alguns linguistas mais ‘prafrentex’ diriam).

Por outro lado, está todo mundo escrevendo propositadamente ‘errado’: toco fomi, cabô, cheganu, as mina, é nóis, pópará, cazamiga, gezuis, sem or, e a lista é maior ainda…

Às vezes acho divertido ver esses desdobramentos tão, sei lá… inesperados (seria essa a palavra?) da nossa língua escrita – língua escrita uma vírgula porque, nas redes sociais, o que se vê é o nosso coloquialismo, as marcas da oralidade, só que escrita. Outras vezes penso: gente, que loucura! Se você é uma pessoa estudada e tem a intenção de escrever ‘errado’, aí está ok, legal, bacana, você é cool! Se você não tem essa intenção explícita de ser engraçado e/ou irônico no momento de escrever ‘errado’, meu amigo, prepare-se para a quantidade de professores de gramática surgindo em seu mundo virtual!

O coloquialismo, enfim, está ganhando um espaço privilegiado nessa hierarquia de poderes linguísticos?  Hmmm… I don´t think so! Nunca! Está claro que ainda continua muito bem definido como se fala quando se quer fazer escárnio, e como se fala quando se quer ser levado a sério: o certo e o errado. a língua culta e a oral, em seus lugares secularmente posicionados. Escrever errado é para quem pode, meu bem.

 

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