Um dia, quando morava no Rio de Janeiro, trabalhei durante um tempo num shopping próximo da minha casa e um senhor me abordou perguntando como ele chegava no estacionamento do lugar. Enquanto explicava, ele de repente me olhou bem nos meus olhos, me dando um certo medo e disse: “você tem os olhos da sua mãe”. Foi assim que ele começou. E soltou o verbo ali na minha frente.
Como estava apontando para algum lugar naquele momento, devo ter ficado com o braço erguido enquanto ele falava coisas de minha vida, da minha saúde, assim: from nothing, do nada. Ele me fez algumas perguntas e acho que só balbuciei, meio retardada, mas ele continuava a falar. E depois, deu as costas e foi embora. Nem quis saber mais da garagem!
Situação parecida me ocorreu outra vez, anos antes, quando morava em Floripa. Atravessava a praça da Figueira, no Centro, em direção ao terminal (o antigo – ainda não tinham construído o terminal de Integração), quando ouvi uma voz vinda de trás de mim:
– Moça! Moça!
Parei e olhei para trás pensando que havia derrubado alguma coisa. Um moço veio correndo em minha direção, não disse bom dia, nem boa tarde e iniciou seu falatório. Não lembro direito do rosto de nenhum, mas lembro das feições. Ao contrário do senhor do Rio – que tinha uma feição de poucos amigos – esse menino mantinha um olhar sorridente. Falava de coisas não tão boas, sorrindo (meio sádico, não?).  Deu seu recado e foi embora. Eu segui minha vida. Um tanto reflexiva, um tanto do tipo ‘oi?’.
Nenhum me pediu dinheiro, nem falou coisas agressivas, nem me deu cantadas. Poxa, poderiam me dar, pelo menos, conselhos. Não os seguiria, é claro. Quem segue conselhos, afinal? Mas me sentiria melhor…
Como explicar isso? Na verdade, nunca fui atrás de uma explicação. A única relação que faço é que, após esses fatos, passei por situações um tanto delicadas. Não situações momentaneamente delicadas, mas que causaram mudanças estruturais em minha vida. Que, de alguma forma, me deram um bom chacoalho e me fizeram pensar diferente.
Tenho tantas situações místicas atreladas a minha história que acho que minha vida seria, não um drama, mas um filme de… espiritualidade (?), misticismo (?)… sei lá. Tem aquela do pássara preto em minha casa – uma história a la Poe (SQN), tem a da entidade/espírito que aparece no meu quarto às 5h da manhã – a la Stephen King – tem a da visita a um ‘centro’ em que to sentada numa cadeirinha desconfortável enquanto tem uma galera em minha volta de mãos dadas e ‘meu guia’ me enchendo de grito (algo do gênero trash comedy haha), enfim, histórias que, se eu contar, ou dão risada, ou não acreditam, ou me chamam de doida. Conto outra hora.

 

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