Dia desses, andava meio triste, abatida com algumas coisas e é nesses momentos que queremos fugir de nós mesmos. Estar sozinha era tudo o que eu não queria. Convidei uma amiga que não pode vir naquele dia. Então resolvi seguir o conselho de um amigo muito querido que nesse mesmo dia disse: “quando se está triste, fazer algo simples pode resolver. Um bolo de laranja, ou ler um livro, por exemplo”.

Entendi o valor desse conselho divino, tomei um banho e fui pra cozinha, não para fazer um bolo de laranja, mas um jantar. A receita, em si, era algo simples: macarrão ao molho de berinjela. Sempre faço. Mas, naquela noite, o trato foi diferente. Liguei uma musiquinha, mais precisamente ouvi esse cara aqui: Anouar Brahem, álbum “The Astounding Eyes of Rita” (2009). Um som que não ouço com frequência, já que a pasta estava armazenada em um HD Externo junto a outras bandas e artistas que um amigo – que também há muito não converso – passou-me.

Realmente meu humor alterou tanto que, ao preparar a mesa, resolvi até acender umas velas. E para tomar meu chá de cidreira gelado com limão, utilizei uma taça de vinho que ganhei de natal do meu irmão (sim, eu tomo meu chá onde eu quiser. Beijos!).

Jantei lindamente. Diva. Olha aí:

um convite para jantar

Dei-me por conta que nunca estamos realmente sozinhos: estava fazendo aquilo por conselho/inspiração de um amigo, o arquivo de músicas que ouvi foi me dado por um outro amigo, a taça utilizada para a bebida era presente do meu irmão, a berinjela, minha mãe colheu de sua horta e me deu, eu estava jantando na mesa que foi de minha vó, a cidreira era da touceira do meu quintal (um mimo da Natureza), enfim. Olha quanta gente, quanta vida, quanta história presente naquele momento! Quanto carinho e cuidado borbulhando e saracoteando bem na minha frente. Quantas referências bacanas as pessoas podem deixar, mesmo que em uma passagem rápida pelas nossas vidas. E quantas referências que já nem percebemos mais, mas estão ali, surgindo e ressurgindo no nosso mais banal ato.

Olha o quanto estamos conectados uns com os outros. Sem o barulho do mundo lá fora, mas com todo o mundo dentro de você, em silêncio, bem quietinho, só contemplando. Isso é estar sozinho. É você com os outros, em silêncio.

Desconstruí um ponto de vista. Ganhei um lindo jantar!

Receita do molho de berinjela

Não tem esquema: corte uma cebola para meia berinjela grande, uma lasca de alho-poró e refogue tudo. Acrescente o molho de tomate, depois o sal, os temperos e deixe cozinhar por alguns minutos e… pronto!

 

 

 

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