Chegamos ao hostel, largamos as pesadas mochilas no chão e logo surgiu de um outro cômodo uma moça baixinha e simpática. Carregava uma bolsa, o que me fez supor que já estava indo embora e nos atendeu apenas porque seu colega que a substituiria ainda não havia chegado. Acertamos as primeiras diárias e fomos para o quarto. Ela nos acompanhou até a porta, ainda com a bolsa no ombro. Mostrou-nos que, para abrir a porta, deveríamos fazer o movimento de fechar e para fechar o movimento de abrir. Não vá achando que foi algo simples de pensar. É o mesmo que balançar a cabeça em movimento negativo e dizer ‘sim’. Para mim, que sou de humanas, é um ato muito complexo (risos).

Logo mais, percebi que a moça não estava indo embora. Era o seu turno e, por algum motivo que me deixou muito curiosa, ela levava aquela bolsa por todos os lados. Quando a via, estava com a bolsa no ombro e isso aconteceu todos os dias que se seguiram e que ficamos lá. Comentei isso com minha amiga, que também achou estranho.

Será que carregava algum spray de pimenta para o caso de algum hóspede imbecil vir com gracinhas? Será que carregava uma bomba para o caso de hóspedes chatos virem com reclamações absurdas? Será que vendia drogas para hóspedes? Será que aguardava ligações importantes em seu celular e não tinha outro meio de guardá-lo, enquanto fazia suas tarefas?

Certa vez, enquanto minha amiga e eu abríamos a porta – não era algo automático, né, considerando que tínhamos que pensar ao contrário do automático – a moça desceu as escadas com a tal da bolsa e foi em direção a recepção. Eu falei: Cris, olha lá a moça e sua inseparável bolsa! Ela virou e olhou pra gente, como se tivesse escutado e continuou em sua direção.

Daí em diante, por razões de segurança, antes de dormir, passei a girar duas vezes aquela fechadura no sentido “abrir”… eu hein, vai saber!

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Bom, nosso hostel, em Playa del Carmen, apesar de simples, era o paraíso. O espaço era muito agradável, no quarto havia duas camas de casal, uma minicozinha e um banheiro só para nós e bem limpinho. Não tinha café da manhã e nem cozinha compartilhada. Mas o mais importante: é muito, muito bem localizado! Fica entre a 5ª Avenida e o mar lindão do caribe.

Fiz a reserva na noite anterior a nossa viagem de Cancun para Playa del Carmen (falo de Cancun em outro episódio), por meio de um aplicativo do Booking. As notas e avaliações não estavam nada boas para esse hostel, girava em torno de 6 ou 7. Mas, como estava baratinho, resolvemos ficar, pelo menos uma diária. A rodoviária de Playa dá direto na 5ª Avenida que é uma rua muito, muito charmosa, onde não há passagem para veículos e é onde estão todas as lojas (das grifes mais famosas ao artesanato local), bares, restaurantes, shoppings, tudo! É incrível! Então saímos da rodoviária e levamos um susto porque não esperávamos encontrar tanto encantamento assim de cara (risos!). Eu e minha amiga ficamos eufóricas e deslumbradas!

Alguns fragmentos do que é a 5ª Avenida, em Playa del Carmen.

Alguns fragmentos do que é a 5ª Avenida, em Playa del Carmen.

Aí ativei outro aplicativo, o Maps.me, para encontrar o hostel (ele funciona off-line). O mapa indicou uma direção para um lado oposto à praia e lá fomos nós, na convicção de que, se o hostel é barato é porque é longe da praia! :p Andamos umas três quadras, seguindo o mapa, e entramos em um hostel. Dei meu nome, o atendente me olhou estranhamente e disse: “Aqui não tem nenhuma reserva nesse nome, senhora!” Por um segundo, fiquei paralisada. Aí olhei a reserva no Booking.com e constatei que aquele não era o hostel!

Bom, minha amiga e eu ficamos iguais umas baratas tontas andando porque ninguém sabia onde era o tal hostel, mesmo com o endereço fornecido. Comecei a achar que tínhamos sido enganadas pelos dois aplicativos: o Maps.me e o Booking!  Bom, resolvemos seguir na rua indicada, mas em direção à praia, com poucas expectativas de encontrar. Quando chegamos na última quadra – a da praia – minha amiga falou: acho que devemos voltar, não é aqui. Aí enxergamos uma plaquinha discreta indicando o hostel. Foi mais um momento de euforia: um hostel barato perto da praia e da 5ª Avenida!! Íamos contar os passos até a praia mas esquecemos, eu aposto em uns 100.

Estávamos com sorte, mesmo com o perigo iminente da moça da bolsa! Hahahahaah.

dmargohotel

A praia vista do Hostel! 🙂

Nome do Hostel: D´Margo.

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