E lá se vão 6 anos sem comer carne. Quando parei, não imaginava o que viria pela frente, mas quando estou decidida a fazer algo, faço mesmo, com todos os santos e santas do meu lado, ou não (risos). Nesse tempo, aprendi sobre alimento muito mais que em minha vida toda. Mas também tive que desaprender muita coisa que me foram ensinadas desde quando nasci. Qualquer senso comum sobre alimentação se esvai com o tempo, porque passamos a ter acesso a muitas informações valiosas que, claro, não estão circulando na grande mídia.  Então, compartilho algumas dessas coisas que observei e faço questão de dizer que é uma opinião pessoal, que não é a verdade absoluta, mas sim, faz parte de toda essa rica experiência que tenho vivido.

Bora lá:

  • Nossa sociedade é altamente engessada com relação à alimentação. Acredita que foi pesquisando sobre alimentação vegana que eu vi que dá para comer vários alimentos com casca? A batata, por exemplo. Ou até mesmo que dá para fazer diversas receitas só com a casca de alguns alimentos? A de banana, por exemplo. Que o grão de feijão não precisa ser preparado apenas como feijoada e que, sim, pode virar hambúrguer, almôndega, comer frio na salada… que a lentilha pode virar um delicioso molho para seu macarrão, que a berinjela pode ser desidratada e comer como salgadinho, que você não precisa de presunto no seu sanduíche (faz uma caponata de berinjela que vai ficar delicioso), que a batata ou mandioca pode virar queijo, que o caldo de grão de bico pode virar merengue, que bolo não precisa necessariamente levar leite, que dá pra fazer batida (milk shake) sem leite de vaca também… nossa, a lista é enorme.
  • Não é novidade para ninguém que o que nos leva a comer o que comemos é a cultura em que vivemos. Pois se vivêssemos em outros países estaríamos, de boas, sem escândalos, comendo insetos, cachorros, espécies de ratazanas. O que explica, por exemplo, tantas atrocidades praticadas contra os animais terem se tornado natural em nossa sociedade, se não é a cultura, ou mesmo – uma palavra que tenho um pouco de ranço – a tradição, sem o mínimo de questionamento?
  • Então, quando alguém vem me dizer que precisa de carne para sua saúde, eu discordo. Hoje tenho certeza de o que nos leva a consumir carne – seja lá de que tipo – é porque a sociedade está assim sistematizada. E, claro que a mídia entra aqui como aquela que vai manter esse sistema em funcionamento. Vai naturalizar e vai cuidar para perpetuar essa cultura, dia após dia, em todos os lugares para onde se possa olhar. E mais: vai silenciar as alternativas de alimentação fora do sistema. Há indústrias gigantescas que precisam ser mantidas. Elas vão reforçar a ideia da saúde associada à carne até o fim. Vão pagar laboratórios para que descubram formas de, aqueles que têm intolerância ou alergias à lactose, continuem a consumir leite, por exemplo. E sim, já há no mercado uma enzima digestiva capaz disso. Eles são rápidos, não? Só para constar, eu fiz exames recentemente e estou com tudo ok: nada abaixo, nada acima. Não é a carne que me mantém de pé. Não tomo suplementos. Ps: ainda consumo derivados de leite e ovos.
  • Moro no interior do Rio Grande do Sul. Em uma cidade que tem pouco mais de 13 mil habitantes. O modo de vida e os costumes da zona rural são imperativos. As pessoas com quem converso, em grande parte são oriundas da zona rural. Em muitos anos vivendo aqui me surpreendi que algumas delas nunca tenham comido uma berinjela ou uma abobrinha. Que nunca tenham comido uma cenoura crua. Não soa curiosíssimo vindo de pessoas da zona rural? Isso só mostra o quanto somos engessados com relação à forma de preparo dos alimentos, o quanto estamos atrelados a um modo de vida que se alimenta de carne, leite e ovos. É a base para praticamente todos os alimentos que encontramos. Até na salada, em alguns restaurantes, tem presunto, tem bacon! Isso não é por acaso. E não, essa não é a única forma de se alimentar. De preparar alimentos.
  • Se a pessoa decide virar vegetariana/vegana do dia pra noite, porque acha bonito ou porque tem pena dos animais… não vai durar nem uma semana. Pena não é um sentimento que move ninguém, é passageiro. O que mantém alguém vegetariano/vegano é justamente a cultura de ser vegetariano/vegano. Ler artigos sobre, participar de grupos nas redes sociais, trocar ideias com quem é, criar redes de amizades, redes de informações, comprar livros sobre, assistir canais no youtube sobre… enfim. Isso sim nos dá base. De repente, torna-se natural. Não há um desespero porque é mais uma refeição que vai ter que substituir a carne. Não há mais o “substituir a carne”. Você olha pra abobrinha na geladeira e pensa: dará um delicioso molho pra minha panqueca. Hoje, se eu vir a Ana Maria Braga fazendo receita com picanha vou achar muito estranho, hehehe. Porque isso não faz parte mais do meu estilo de vida. Faz muito que não olho mais receitas que contenham carne.
  • Sim, é possível que a gente ainda tenha vontade de comer carne durante os primeiros tempos. A última vez que comi querendo-querendo foi há uns três anos. Um pedaço de pizza de iscas de filé… comi e passei mal do estômago. Muitas vezes, vejo o pessoal, nos grupos, se punindo porque o fizeram. Gente, isso não é uma religião! Faz parte do processo. Não há culpa. Por isso que reforço a questão da cultura. Quanto mais imerso a pessoa estiver, mais natural se torna.
  • E sobre essa questão da culpa, da imposição de ideias, tenho que dizer: há gente escrota em todas as causas e ideologias que se conheça por aí. TODAS. Até no veganismo, cuja ideia, considero linda e bacana. Ignore isso e siga conforme sua consciência. Cada pessoa sabe de si. Mas se você estiver interessado, não deixe de pesquisar, de buscar conhecer, de se informar. Vá mudando aos poucos. Infelizmente, no mundo real, não dá pra ser vegano do dia para noite. No mundo real, as coisas são mais lentas, há um processo por trás de cada atitude e não é com discursos violentos na internet que as pessoas vão mudar. Sim, animais estão sofrendo, bezerros afastados de suas mamães todos os dias, mas não adianta bancar uma de herói com o mundo se você não está sendo o mínimo amoroso com você e com as pessoas à sua volta.
  • E meu último item desta listinha: não há nada de ‘radical’ em ser vegetariano/ vegano. O que acontece, na minha opinião, é que é um mundo ainda pouco explorado pela sociedade em geral. Tudo o que é desconhecido gera estranhamento. Acho também que é um pouco de comodismo em só ver e acreditar naquilo que está sendo posto e dito pela mídia de massa, que tem interesse em manter as coisas do jeito que estão, pois é patrocinada por essas grandes empresas. Acho, ainda, que se mudarmos esse ponto de vista, garanto que o estranhamento será muito pior e enorme em ver tanto sofrimento e crueldade, e a indústria explorando sem trégua os animais. Isso sim é ser radical, isso é muito, muito bizarro!

Acredito que tem muitas coisas que ainda poderia elencar aqui, mas ainda não estão amadurecidas, ainda não foram suficientemente experenciadas. Então, vou deixar para uma próxima… 😉

Só uma curiosidade: muitas pessoas deixam de comer carne ao assistir àqueles documentários como a “A Carne é Fraca” ou “Terráqueos”. Eu jamais conseguiria ver qualquer um deles, até tentei… mas o meu processo foi um pouco diferente. Por algumas razões, já estava questionando a minha alimentação havia um tempo, mas foi quando li o livro “A fisiologia da alma”, de Ramatís, que eu decidi parar.  Recomendo a leitura.

  • Deixo, abaixo, alguns links de comunidades veganas e de sites, onde é possível se informar sobre tudo. Por favor, antes de criticar, informe-se. Não seja um babaca que sai difamando sem nunca ter lido qualquer coisa sobre o assunto. Paz e amor!

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